VIVER

' Viver é muito perigoso...
Porque aprender a viver é que é o viver mesmo.
Travessia perigosa, mas é a da Vida.
Sertão que se alteia a abaixa. O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto.

Dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer e ter o poder de ir até o rabo da palavra. '
[ Guimarães Rosa ]

Pesquisar este blog

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Luto Coletivo , Dor Plural : Solidariedade [inter]nacional

         Aconteceu em Santa Maria, de lá adveio a notícia que causou  ao Brasil e ao mundo, Dor. E recebeu  respostas, que não se tratam unicamente de uma manifestação social, batendo o ponto, da boca pra fora .  É Solidariedade que estendeu-se além da nacional :  foram muitas e legítimas manifestações , até internacionais, que testemunharam  Parceria, Comunhão . Fato trágico que foi acompanhado muito ali – mas absolutamente além das telas da TV.  Atitude  socialmente fraterna, humana .
          Especialmente aquela cidade – como todo o estado do Rio Grande do Sul -  e o que dali advém e acontece, tem um significado especial para mim: foi realmente lá que tornei-me mineirucha. Foi a primeira Base  Aérea que morei e também um vínculo significativo como professora da UFSM, marcou-me. Lá interagi por inteiro  com o estado do Rio Grande do Sul e ao deixar a terra, deixei a Família não propriamente genética, mas absolutamente afetiva. E assim, bem guardado do lado esquerdo do peito, ficou o Amor pela pelo estado .
          Depois que se conhece – que se vivencia a leitura do  lugar –  ficamos cientes que a 'lusofonia manifesta' ali, foca-se devidamente no social, nos relacionamentos, mas é permeada por muita afeição: o Rio Grande do Sul e as cidades menores [ unicamente em espaço] recebem, acolhem, con-vivem. E em acontecimentos como este, a Dor toma forma, coletivamente , indo do Social e  mais fundo, ao Emocional .
          A tragédia  por diversas variáveis impactou, quando questionadas as razões  físicas e lógicas a serem exigidas, numa boite onde já se tem ciência da obviedade de eventos e perfis dos mesmos - como também daqueles que frequentam-na. Todavia, as respostas em nada amenizam o sentimento de inaceitação das perdas,na verdade, Idas. As confirmações em nada diminuem  o desacordo  com  A Hora da Partida. Bate no peito o   Muito do Porquê  e discordância do  Como. E assim, o sentimento  -também- à flor de nossa pele,daqui, unica e fisicamente longe; mas intenso e extenso e partilhado .
          Saibam-nos Solidários. Sentimos que assim, sem autorização alguma, tocamos a  Dor que  aí está  e trazemos parte  desta para cá, na intenção de amenizá-la . Sentimentos nossos:  assim os  confortamos  um pouco, cremos . Saibam-nos fraternos. Parece uma  Família sócio-afetiva que em Horas como esta, mais que acorda: desperta . Sintam-nos Próximos , no nobre conceito da palavra. Semelhantes que daqui estão, a dividir com  Vocês  este momento. Afinal, Pessoas significativas, partiram .
            Aí, esparramada agora casa adentro, no fundo do Coração, há que sentir-se  a que a Paz – a PAZ ! palpável – mora nesta Hora, agora, Lá, onde Eles  estão: mora , sim . Mais que mora ,  V-i-v-e em cada um Deles . Fim para o Começo .
           É endereço definitivo, preciso  e para sempre. Alegrem-os, pois : acreditem nisto e aos poucos, comedidamente, entendam, aos poucos  trabalhem a elaboração; e creiam na Hora  Marcada para a  Partida  e ao que nos referimos:  a Paz aguardando a Chegada . E mutua, reciprocamente Eles têm ciência disto : é pois, natural a hora do Encontro .   
           Vocês, foram  propositadamente desavisados - entenderiam ? aceitariam ? consentiriam ? não, certamente que não .Que agora  compreendam -  assim , permitam  - e busquem compreender com dedicação e crédito a  interpretação de tudo isto.  Que   página por página, esse Livro  seja compreendido, no idioma  que é o sentimento único. Sem tradução alguma, pois .
           Com certeza: não é Fim, nem perda; ao contrário, é con-sentimento  da Hora, é  Começo .
Para  isto,  Vocês têm nas mãos algo imprescindível .
           Existem duas palavras necessárias e precisas  para a Vida. A primeira refere-se ao  Ar , uma palavra curta, singular - e absolutamente necessária para que se viva . Respirar, pois .
          E junto a esta, outra palavra , também  curta, mas  extensa/ intensa; infinda e forte.  É  contudo , a maior do  Dicionário latente,letrado dentro de nós- e que agora está em suas mãos. E a leitura deste, página por página , debulhando tal  palavra sagrada que é a FÉ.
          São sinônimas pois -  Vida e Fé - se entrelaçam e em comunhão são  a Compreensão, a concordância : é a Hora. E também coletivamente está sendo enfrentado até se  concretizar a consciência  da Ida  para o lugar que é lá, com certeza: o território da Luz .

   [ Zero Hora /POA    - 06/02/2013 ]