Chico Anysio - meu, seu, nosso. Ele nacionalmente vive, na boca e memória afetiva, social.Será sempre,afetivamente coletivo . Certamente, os Professores e a Política cabem ser frisados aqui - mas todos os segmentos o terão vivo, manifesto dentro de si.
Singularizá-lo, seria no mínimo, inviável . Ele é plural . Uso o verbo no presente, porque Chico Anysio unicamente mudou de etapa, mas não irá embora daqui, de forma alguma . Estará sempre por perto , literalmente para nossa alegria. ( Por falar nisto, não que ela tenha dormido triste, ontem. Mas dormiu calada, com certeza. Talvez tenha até ido antes conversar com Deus. )
Uma frase de Chico Anysio, no Citações , de Roberto Dualibi, marcou-me : ‘ Na boca de quem não presta, quem é bom não tem valia.’ Pura verdade. Quem não se preza, despreza quem lhe quer bem, para que fiquem à mesma altura. Quando li tal frase, lembro-me bem que surpreendi-me, pois a citação e Chico Anysio eram destoantes: a frase era dura demais para a entonação alegre-hilária mesmo – de seus quadros, na interpretação de cada papel . E a frase é por demais dura,veemente. O Caráter é assunto muito sério.
Foi aí que me bateu o entendimento, a pertinência da frase, na boca de Chico Anysio : ele tinha muita retidão em seu caráter. Em todos os papeis que vivenciou – refiro-me a vivenciar e não a interpretar- o fez com com ciência e certeza. Daí, nas relações que encarou no decorrer da caminhada, concluiu isto .E cumpriu a obrigação de expor, pois tal frase fala muito. Nesta tem os conceitos ‘ Boca’ e ‘ Valor’, interagindo com ‘ Caráter’ . A citação é rica, em forma e principalmente, conteúdo .
Avaliando melhor, quando estava vestido de Si mesmo, Chico tirava a fantasia de sua boca , ao contrário: trazia a dura realidade para que o Telespectador/ Sociedade vissem .E nisto - doeu agora sentir - creio que ele foi embora triste; ou ainda, entristecido. Exigente como era [ sim, Chico Anysio era exigente, na vida real ] pouco adiantou e Ele , claro, sentiu. Certamente , daí a razão pela qual percebe-se em seu olhar, lá no fundo , a Amargura.
Qual seria a razão pela qual Chico não hesitou em interpretar nenhum dos personagens, revirando todos os perfis/segmentos/classes sociais , fustigando duramente a política, sempre ? Acordar-nos, sem dúvida. Acordar-nos. Paradoxalmente, isto me consola um pouco,pela ida dele . Sem dúvida, de lá, Chico vai continuar. E céu acima, a Amargura não entra. Chico agora é Luz .
Em certa entrevista, Ele disse que não tinha medo de morrer: ‘ mas enquanto der, vou adiando’ . E lá de cima, agora concordou com a data de ida marcada . Sua Ida foi ,realmente,no fechamento do Risadaria, que termina neste domingo. Afinal, Ele inaugurou este festival .
Fica, no fechamento deste , o próprio Chico . Foi a conclusão de um texto, referente a um sonho que teve , onde cita ao final : “...e então, seria o Tempo, para trás, até aparecer o último homem : Adão. O primeiro , a quem Deus colocaria sobre a mão e em vez de soprar para ele, o inspiraria para dentro de Si mesmo."
* Mais dois dias e eu teria a chance de ir até lá, despedir-me dele . Contudo, mesmo estando no Rio, eu não iria: minha formação básica, a Psicologia,afirma que haverá melhor elaboração do luto, se nós virmos o Corpo.Discordo disto .Opto por guardar a memória realmente do Ser vivo.
* Talvez soe estranho conciliar as últimas palavras do tema/ texto com o vídeo, mas não . A mão Divina criou imediatamente Adão e Eva , em propósito, abençoando assim a relação a dois.
Esta entrevista , foi o hilário , ironizando a política - e disto ele nunca abriu mão, nem fechou a boca .
domingo, 25 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
JEITO DE DEPOIS
Hoje tive uma sensação diferente de todas que já senti. Completamente diferente : foi um pouco mágico,apesar de estranho.
Sem mais, nem menos, dentro do carro, quando ouvi, era Elis : ‘Dois pra lá, dois pra cá’. E foi aí que adentrou em Mim, a sensação : nem sei se conseguirei explicar. [ “ Sentindo um frio em minh’alma, te convidei pra dançar; a tua voz me acalmava, são dois pra lá, dois pra cá...]
Era como se Elis fosse Dalva de Oliveira ou Dolores Duran, ali ; e como se , de repente,eu tivesse uns trinta anos a mais. Por isso falei assim, Jeito de Depois. De repente, eu estava em Quem Serei .E acho que deu pra entender o que uma jovem de quinze anos sente, ouvindo Elis hoje Regina. É quase impossível explicar o que senti. [ Meu coração traiçoeiro, batia mais que o gongo, tremia mais que as maracas, descompassado de amor... ].
Daí pensei : Elis interpretou esta música com cheiro de passado, mesmo, por vontade própria. Artisticamente – foi isto ; daí a eu ter tido esta sensação diferente agora . Racionalizei, porque eu não estou pronta pra ser Depois, sabe ? ( Não sei porquê criticar tão acirradamente os mecanismos de defesa; Freud deveria ter sido um pouco mais complacente. Queria ele que tivéssemos mecanismos de ataque? E ainda mais que eu vivo de cara com o Inconsciente – gosto muito dele; sempre gostei de, pelo menos, tentar adentrá-lo. Como não defender-me de algumas Verdades ? E não temos que nos defendermos do Tempo ? )
Mas não foi racionalização, não: eu toquei o sentimento que advirá , senti na pele. Memória do que eu tenho certeza que será. Sim, porque ao ouvir Elis, sei que é exatamente aquilo que *sentir-se-á , daqui a alguns anos - *dei até um toque de tempo no verbo aqui, propositadamente , pra me explicar melhor.
[‘ Minha cabeça rodando, rodava mais que os casais. O teu perfume ‘gardênia’ e não me perguntes mais... A tua mão no pescoço, as tuas costas macias, por quanto tempo rondaram, as minhas noites vazias...’]
Está ininteligível isto aqui, eu sei. Mas foi realmente algo que, como digo, só é ‘ sentível’ ; assim , quase que indescritível . Meio que uma sensação de dèja vu , só que futurizada. Foi isto . E fiquei a pensar quem o Tempo pensa que é, se adentrando em Nós – silencioso, ou mais , mudo . O Tempo não tem preceito .
(Pensei agora em uma citação, a qual desde que li, guardei direito, do lado esquerdo do peito:
‘ Os índios fascinam a gente, porque são anteriores ao Tempo’. Antonio Callado consolou-nos, ao firmar isto . A sociedade indígena não permite que o Tempo passe pelas tribos. São determinantemente alheias ao Tempo. Antecedem-no . )
Fato foi que naquele momento, incorporei-me mesmo do Depois . Tentei sentir, em todos os sentidos, que o Tempo tinha passado e que tinha anoitecido em Mim . Quis saber se sentirei Ternura ou Amargura, quando olhar realmente para um Jovem, para um casal que nem pressupõe o que é o Depois e se ama, incontidamente, rua afora, noite adentro . [ ‘... ouvi tua voz murmurando: são dois pra lá, dois pra cá . ( Falso Brilhante – João Bosco – Aldir Blanc )]
Me adono do tempo, se quiser : foi esta a conclusão à qual cheguei . Se eu for realmente Ser , verdadeiramente Humano, me aproprio dele e me devaneio em todos os meus momentos – vivendo intensa e extensamente.
Há antes disto, contudo, a conscientização do Livre-Arbítrio e do caminho a ser seguido com ciência,resignação ( parece contraditório, mas não é ) e determinação . Com garra – feito bicho mesmo que tem sede de vida , entretanto, feito Homem, explorando além dos cinco sentidos, um conceito, uma benção, um dom , uma dádiva : a de Ser, Humano .
* Pode parecer um contrassenso o tema e o vídeo , entretanto não é . Este mostra que Querer é Viver.
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