Hoje tive uma sensação diferente de todas que já senti. Completamente diferente : foi um pouco mágico,apesar de estranho.
Sem mais, nem menos, dentro do carro, quando ouvi, era Elis : ‘Dois pra lá, dois pra cá’. E foi aí que adentrou em Mim, a sensação : nem sei se conseguirei explicar. [ “ Sentindo um frio em minh’alma, te convidei pra dançar; a tua voz me acalmava, são dois pra lá, dois pra cá...]
Era como se Elis fosse Dalva de Oliveira ou Dolores Duran, ali ; e como se , de repente,eu tivesse uns trinta anos a mais. Por isso falei assim, Jeito de Depois. De repente, eu estava em Quem Serei .E acho que deu pra entender o que uma jovem de quinze anos sente, ouvindo Elis hoje Regina. É quase impossível explicar o que senti. [ Meu coração traiçoeiro, batia mais que o gongo, tremia mais que as maracas, descompassado de amor... ].
Daí pensei : Elis interpretou esta música com cheiro de passado, mesmo, por vontade própria. Artisticamente – foi isto ; daí a eu ter tido esta sensação diferente agora . Racionalizei, porque eu não estou pronta pra ser Depois, sabe ? ( Não sei porquê criticar tão acirradamente os mecanismos de defesa; Freud deveria ter sido um pouco mais complacente. Queria ele que tivéssemos mecanismos de ataque? E ainda mais que eu vivo de cara com o Inconsciente – gosto muito dele; sempre gostei de, pelo menos, tentar adentrá-lo. Como não defender-me de algumas Verdades ? E não temos que nos defendermos do Tempo ? )
Mas não foi racionalização, não: eu toquei o sentimento que advirá , senti na pele. Memória do que eu tenho certeza que será. Sim, porque ao ouvir Elis, sei que é exatamente aquilo que *sentir-se-á , daqui a alguns anos - *dei até um toque de tempo no verbo aqui, propositadamente , pra me explicar melhor.
[‘ Minha cabeça rodando, rodava mais que os casais. O teu perfume ‘gardênia’ e não me perguntes mais... A tua mão no pescoço, as tuas costas macias, por quanto tempo rondaram, as minhas noites vazias...’]
Está ininteligível isto aqui, eu sei. Mas foi realmente algo que, como digo, só é ‘ sentível’ ; assim , quase que indescritível . Meio que uma sensação de dèja vu , só que futurizada. Foi isto . E fiquei a pensar quem o Tempo pensa que é, se adentrando em Nós – silencioso, ou mais , mudo . O Tempo não tem preceito .
(Pensei agora em uma citação, a qual desde que li, guardei direito, do lado esquerdo do peito:
‘ Os índios fascinam a gente, porque são anteriores ao Tempo’. Antonio Callado consolou-nos, ao firmar isto . A sociedade indígena não permite que o Tempo passe pelas tribos. São determinantemente alheias ao Tempo. Antecedem-no . )
Fato foi que naquele momento, incorporei-me mesmo do Depois . Tentei sentir, em todos os sentidos, que o Tempo tinha passado e que tinha anoitecido em Mim . Quis saber se sentirei Ternura ou Amargura, quando olhar realmente para um Jovem, para um casal que nem pressupõe o que é o Depois e se ama, incontidamente, rua afora, noite adentro . [ ‘... ouvi tua voz murmurando: são dois pra lá, dois pra cá . ( Falso Brilhante – João Bosco – Aldir Blanc )]
Me adono do tempo, se quiser : foi esta a conclusão à qual cheguei . Se eu for realmente Ser , verdadeiramente Humano, me aproprio dele e me devaneio em todos os meus momentos – vivendo intensa e extensamente.
Há antes disto, contudo, a conscientização do Livre-Arbítrio e do caminho a ser seguido com ciência,resignação ( parece contraditório, mas não é ) e determinação . Com garra – feito bicho mesmo que tem sede de vida , entretanto, feito Homem, explorando além dos cinco sentidos, um conceito, uma benção, um dom , uma dádiva : a de Ser, Humano .
* Pode parecer um contrassenso o tema e o vídeo , entretanto não é . Este mostra que Querer é Viver.
Essa mensagem para mim significa uma frase:
ResponderExcluirENSINA-ME A VIVER. Muito obrigada.
Felizmente ainda é em setembro o retorno, Maria Alice : meu cumprimento e apreço.
ResponderExcluirNos falaremos.
Abraço,