VIVER

' Viver é muito perigoso...
Porque aprender a viver é que é o viver mesmo.
Travessia perigosa, mas é a da Vida.
Sertão que se alteia a abaixa. O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto.

Dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer e ter o poder de ir até o rabo da palavra. '
[ Guimarães Rosa ]

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terça-feira, 28 de junho de 2016

Connie ou Lennon ?

                                                   
                                               
                                               
                                                                  dedico a  Laura, cooper- Amiga,

                                                                                                   com toda a minha afeição .


Este material emociona a quem bate bem do Coração . Emociona mesmo.
Felizmente, recebi os dois juntos e fui me perguntar acerca de em quem eu votaria, se os dois estivessem num mesmo concurso . E decidi .
Connie é Anjo . Nasceu assim , há seis anos . Tem Luz própria - e brilha, ao mesmo tempo que ilumina. Contudo, é inerente a ela , ao contrário: creio que não tem como desfazer-se disto.
Até a forma , naturalidade/obviedade com a quais ela responde as perguntas dos jurados, firma isto . Nem sabe direito acerca do que está sendo perguntado e já afirma tudo ; naturalmente .
Connie inspira benção, Anjo que caminha, ao invés de voar . Pode, isto ? Anjos também andam... acabamos de descobrir isto agora. Quem assiste, não discorda. Quando terminamos de ver, emocionados, a gente se sente meio constrangido, por sermos tão questionadores,eventualmente céticos. Às vezes, somos até alheios a Deus ; simulamos que cremos . Ou pior, em nossa vida prática não exercemos o que nos propomos verbalmente, quando rezamos.O exercício da Solidariedade e Respeito . Amor ao Próximo, em nossas mãos, no cotidiano de nossas Vidas ? Melhor nem tocar no assunto .
A gente não vê o peso e valor - e Responsabilidade - sagrados de uma Prece , de falar com Deus. Falando mais sério: eu não sei se a gente , na prática, demonstra em atitudes, que crê N'Ele . Mas deixe-me voltar, que estou indo por um caminho perigoso.
Connie é terna - até o cacófago é pertinente.E ao vermos um vídeo como este,o tom da voz e rosto angelical dela, cala a nossa boca : Connie cheira Paz .
Com John Lennon, é diferente. O garoto doce e seguramente, agride a gente e aos jurados - com sorriso firme . Aqui cabe dizer: cala a boca deles.
A segurança com a qual ele adentra a pista e encara o propósito para o qual ali está, é realmente ímpar . E de forma singular, desde a ( falta de ) produção, ao argumento : ' embora conheça o material há pouco tempo, quem criou a coreografia, fui eu mesmo '. E fala de um jeito singular, repito, seguro e o que é pior ,ou  melhor : humildemente. ' La semplicità è la suprema  sofisticazione', disse Leonardo da Vinci. É isto.
Contudo, não me refiro à humildade que advém de um nível sócio-econômico menos acessível ; não. Cito a Humildade de quem é Realmente nobre. É exatamente isto, cheguei onde queria: John Lennon É nobre. Será coisa do nome, é isto, Deus ? * Quando Ele me responder, contarei aqui a resposta.Se bem que sinto até que não precisava desta pergunta . Acho que o nome Lennon denota riqueza . A gente ouviu isto muito bem.' Imagine ', adentrou muitas fronteiras.
Sabe,tem muito de Anjo também em John Lennon, com uma grande diferença. Com meu preconceito estúpido, presumo que ele venha de um local onde teria tudo para dançar naquele sentido pejorativo. E isto não aconteceu. Encarou a Vida de outro jeito e quer agora, expor sua arte e capacitação ao mundo . E mais: sem fim egoico .Ele poderia ter dançado de outro jeito e não deixou que acontecesse; optou pela arte do Corpo em movimento, num linguajar que é único , nele e dele.
' Dançou' , não . Ao contrário , angelizou-se. Outra descoberta, pois : Anjos dançam . [ Parênteses: detesto que tenham judiado deste verbo lindo, dando uma conotação pejorativa .] Acho dançar,verbo e prática sagrados. Nietzsche afirmou que só acreditava num Deus que soubesse dançar. Eu também .E tem outra citação interessante: ' A dança é a expressão perpendicular de um desejo horizontal', de George Bernard Shaw. Pura verdade. Dois corpos, juntos e que já vivenciam uma Relação, ao dançar, estão fazendo amor em público. A forma como se tocam, o movimento, o ritmo, faz uma doce denúncia da Relação.[ Me perguntei se eu não estaria sendo antagônica, juntando num só texto Deus e a sexualidade; mas não. A sexualidade também é sagrada. Quando conduzida saudavelmente, tem luz no encontro dos Corpos. Sem dúvida - tanto que é ali que a Vida é gerada.  ]
Inclusive a forma como John Lennon coreografou ' A Morte do Cisne', do início ao fim, foi por demais inteligente e criativa. A cada movimento da bailarina consagrada Anna Pavlova, Lennon traduziu com a irreverência do Break, uma das vertentes do Street Dance, que explodiu nos EUA em 1981 e se expandiu mundialmente ; Sendo que, no Brasil, foi devido  a sua leitura corporal,que os dançarinos incorporaram novos elementos de dança.O Street Dance, apesar de denominação genérica, no Brasil abrange a todos os estilos sem distinção. Houve uma mistura em tal grau, que a intenção das coreografias passou a ditar o estilo da dança.E é exatamente isto do 'ditar', que dá corpo ao 'impor', aqui : 'A Morte do Cisne' foi um trabalho consagrado no mundo, interpretado numa linguagem ao avesso, criado numa coreografia sem leitura profissional do significado daquela obra. Foi ousadamente criada com o sentimento de Amor pela Dança e da Arte no movimento corporal e assim, maravilhosa.
Por  isso, eu fico com ele. John Lennon já tem caminho andado, muita coisa deve ter visto e encarado, num outro tom , duro : mas optou pela Vida em movimento, o controle do corpo em compasso via Arte ,o tom da Música e o gesto ritmado, frisado pelo passo traduzido. Graças a Deus, John Lennon dançou - com passo nobre . A pequena Connie ,anjo que entoa a canção, sai voando desta estória  e nós trancafiamos bem os dois , em nossos corações . Afinal, é ali que pulsa, bem  latente  e sedenta de valores , nossa memória manifesta .



* Quanto aos jurados, só um deles, postou-se do início ao fim, com a ética que é própria - ou deveria ser - àquela mesa.Os demais, ao chegarem em casa e desabotoarem a roupa , ao tirarem a maquiagem e olharem-se no espelho, certamente, ficaram com vergonha de si mesmos e dos comentários, quando o garoto apresentou-se. Eu ia usar a expressão ' dançaram', mas me recuso. Certo é que, escorregaram feio e tomara que isto tenha servido para amadurecê-los, pois carecem .Para um, nota 10, para a Outra, nota 7 e para o 'Outro' , nota 6. Vale lembrar que a lágrima escorrendo deste , no rosto de um deles, lavou um pouco do desprezo na face, quando John entrou.

quinta-feira, 3 de março de 2016

GRITO POR CARNAVAL

Sabemos que o Carnaval faz parte – uma parte boa – da nossa história, da história da nossa terra . Tem grande e rico significado para a Cultura brasileira.Isto é indiscutível.
Pertinente seria discutir se isso que vem ocorrendo de muitos anos para cá, pode ser chamado de Carnaval. Se alguém disser que é, eu digo: não é verdade.
Há muitos anos, o ginásio do Praia Clube – inúmeros uberlandenses são testemunhas – recebia pessoas, blocos que se fantasiavam de uma Alegria contagiante; dava para tocar com as mãos. O próprio ginásio, calado, aguardava os foliões que adentravam o clube. Eram Mágicos, Bailarinas, Palhaços – e nos rostos havia a magia, sim. As Bailarinas dançavam a Alegria, sim e os Palhaços vestiam no Corpo e na Alma a Fantasia, sim ( “ ...e um dia, afinal, tinham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia, que se chamava Carnaval” – Vai Passar / Chico Buarque)
Já passou, tento me convencer – sem querer - de que já passou . Mas quem vivenciou esta época, é testemunha em carne viva ,da qualidade daquela festa, da quantidade daquela Vida. Com a Alegria estampada nos rostos, com confete e serpentina, os corpos dançavam as músicas apropriadas, naqueles quatro dias incansáveis – sem falar nas matinês- nas quais muitos de nós estávamos presentes, cantando e dançando a Vida, encantada que é ( é, sim).
Uma reportagem do Fantástico, há aproximadamente quatro meses, mostrou um grupo de trigêmeas brasileiras que estão brilhando na Europa, cantando as verdadeiras marchinhas de Carnaval. O mundo tem aplaudido e elas estão fazendo sucesso lá fora; contagiando com um ritmo que é só nosso e tentando, com o Coração, fazer com que os pés e os quadris dos Estrangeiros dancem com uma cadência que é só nossa.
Mudar o ritmo da história do Carnaval no Brasil, guardadas as devidas proporções, é alterar a nossa história cultural, alterar nossa bandeira. A Sociedade e as Instituições que lidam com a Música, deverão entender isto. Uma verdade, a esse respeito, já foi dita: “ A Música é como o Pão: elementar, santo e de todos” (Tristão da Cunha). E a história da Música, dos eventos regionais e nacionais, não pode ser negligenciada. História, inclusive musical, faz parte do passado ,está presente e sempre dará futuro.
Restou uma ‘globeleza’ que não ginga com a mesma cadência que talvez seja inimitável – Valéria Valenssa . E muito menos, quase nada, traz as cores trabalhadas no corpo, tendendo mais à erotização e não à Arte . O que deveria ser diferente, porque a Globo , naqueles poucos segundos valiosos, prefacia um trabalho valioso: os Desfiles das Escolas de Samba.
E as E-S-C-O-L-A-S são assim denominadas porque ensinam, através de um ritmo genuinamente brasileiro, temas que enfatizam o valor do nosso País e as riquezas nele contidas. Assistindo há pouco o desfile de uma das escolas paulistas, tenho que sublinhar o que foi dito pelo Comentarista, referindo-se a uma das Escolas que valorizou a Passarela : ‘...é um trabalho encantado. Traz história,cultura,valores e apreço . É um planeta de Luz.” E as Escolas de Samba, também prezam as letras da Músicas, reforçando valores sócio-políticos-culturais que a Passarela e o Povo devem cantar forte, cantar alto, que assim ‘ a Vida vai melhorar, a Vida vai melhorar.’
Retomando o que estava sendo dito, manteremo-nos calados? Privaremos os nossos Filhos, a jovem sociedade que aí está, do privilégio e mérito que tivemos? Aceitaremos isto de descabido que tem sido dito, que ‘Carnaval é coisa do passado?’
Não, heróis,ritos,mitos, heróis, História e Arte, tudo está contido nisto e morrer isto também é um crime. Não podemos calar a boca – contar e cantar bobagens – e cruzar os braços, seria cômodo e grave demais.Depreciativo e caro. Precisamos reerguer essa bandeira.
São quatro dias ímpares – quatro, mas ímpares. Faz parte do Passado, tem que estar Presente, como citado e vai enriquecer o Futuro ( ‘ ...que aqui passaram sambas imortais, que aqui sangraram pelos nossos pés, que aqui sangraram nossos ancestrais”- Vai Passar / Chico Buarque)
Faz parte da estima Social e Coletiva pela Poesia, pela Música, por uma história entoada que deve ser tocada País afora. Já que é bandeira, há que ser prezada com muito Orgulho ( Se a guerra for declarada, em pleno domingo de Carnaval, verás que um Filho não foge à Luta, Brasil recruta, o teu pessoal” – Rio 42º / Chico Buarque).

Maristela Dias da Cunha

* Por vezes me passa pela cabeça entregar os pontos, mas não vou. Quem sabe sugeriria que, nesta época do ano, se cantasse algo como ‘bota camisinha, bota meu amor...” Isto para mostrar que em nosso Carnaval. há décadas e décadas , expõe claramente – e numa linguagem lúdica – o que ocorre de grave e deve ser falado o ano inteiro. Temas voltados para o Cotidiano, o Social, a Saúde. Porisso, ‘ bota camisinha, bota meu amor ...’

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

MAITÊ PROEZA .

                                                

             O CLARÃO É DEUS - MAITÊ PROENÇA
                         

O CLARÃO É DEUS - MAITÊ PROENÇA
Deus surgiu na minha vida aos 6 anos de idade, e chegou junto com o pecado. Filha de pais ateus, até então, eu não havia sido apresentada a uma coisa nem outra. Um dia colocaram-me num colégio de freiras no qual rapidamente fui atualizada sobre essas questões importantes da vida. Ali aprendi que algumas faltas eram mais graves que outras. Matar, por exemplo. Mas eu nunca matei ninguém... Ah, é? E, quando você caminha, o que acontece com todas aquelas formigas que vão sendo pisoteadas? Assustada, passei meses andando de cabeça baixa para evitar tamanho pecado. Trocaram-me de colégio.

Passou-se um ano, e surgiu o assunto da primeira comunhão. Você não vai fazer? Não sei, o que é isso? É para Deus te perdoar dos pecados. Ahn... Em casa, minha mãe tirava dúvidas a sua maneira: Deus é como Papai Noel, só existe para quem acredita nele. E ela sabia que eu já não acreditava. Assim, pulamos a primeira comunhão.

Aí minha mãe morreu, meu pai pirou, e por coincidência fui parar numa hospedaria para filhos de missionários luteranos americanos, espalhados pelo Brasil. Ali rezava-se antes de cada refeição, e, à noite, por uma hora de fervor, cantavam-se hinos de louvor a Cristo. Éramos 30 meninas e meninos, de 5 a 18 anos, cuidados por um casal que viera de Minnesota com a missão de manter a fé daqueles pirralhos custasse o que custasse. Meu caso deu certo trabalho. Eu não fazia parte da turma, não tinha fé alguma, e era imprescindível integrar-me às crianças cristãs antes que elas se integrassem a meus modos pagãos. Acontece que aquela gente era muito boa, e eu andava numa carência infinita. Então, com o amor que me dedicaram, demorou pouco para que eu me bandeasse de armas e bagagem, pensamentos e espírito para onde a seta luterana apontava. Assim, aos 14 anos, passei a viajar pelo Brasil uma vez por mês, dando testemunhos de minha conversão a Jesus em igrejas protestantes espalhadas pelo país. Aos 16, cansei dessa vida, discuti com o responsável da hospedaria e fui bater na porta de uma igreja. Católica. Você é padre, não é? Pois eu sou órfã, e não tenho onde morar. Padre Xico me convidou para morar na torre da igreja, e ali me instalei por um par de anos. No térreo ficava a sala de estar. O sacerdote morava no 1o andar, o segundo piso servia para hospedar bispos e monsenhores, e no terceiro ficava meu quarto. Certa vez aconteceu um show do Vinicius e Toquinho na cidade, e eu fui conferir. Ao final do espetáculo, fui cumprimentar os artistas, e Toquinho se ofereceu para me levar em casa. Quando pedi que estacionasse na porta da igreja, o moço não entendeu nada. Você mora com o padre? Moro. E você dá para o padre? Não, o padre é casto, e eu sou virgem - não dou para ninguém. As segundas intenções que levaram Toquinho a me acompanhar, tão gentilmente, até minha casa morreram ali. Anos depois, já atriz, eu contei essa história para ele, e ambos demos boas risadas.

A vida foi seguindo. Levou-me para a Europa, e dali para a Ásia, numa peregrinação que durou dois anos. Eu ia a pé, de carona, como desse - e ia conhecendo bem a gente local. Quando se viaja pobre, precisa-se das pessoas, da generosidade delas, de suas gentilezas. Nessa troca diária em que eu também tinha de estar disponível, conheci muita gente boa e simples. E gente simples tem religião. Pelas pessoas, e não por interesse em suas crenças, fui novamente levada a Deus. Agora Ele ganhava várias faces, e as formas de louvá-Lo eram múltiplas e sempre muito fervorosas. Assim, fui percebendo que Deus não dava a mínima se a gente queria chamá-lo de Buda, Maomé, Oxalá ou Jesus. Deus não cabia numa caixinha, nem na minha compreensão, e isso de certa forma me confortava.

Então, quando mais tarde a vida apertou e minhas pessoas começaram a morrer muito pela segunda vez - amigos, meu pai e meu irmão se mataram - e minha solidão precisava de um amor sobrenatural para sará-la, lembrei de Deus, e fui procurá-lo. Quando encontrei, Ele era um Deus maduro e generoso, que me curou por inteiro, e, como que para me separar definitivamente de todo mal, ainda me deu uma filha de presente. Eu que tentava havia dez anos, sem nenhum problema físico, só consegui engravidar quando virei uma pessoa completa, ou seja, de espiritualidade plena. Não vou contar, porque não cabe aqui, como se deram os milagres de minha vida, mas esse de minha filha aconteceu exatamente nessas circunstâncias.

O Deus que hoje reconheço tem a face feminina, é doce, tolerante, compreensivo e infinitamente bom. É Ele quem me orienta e me encaminha todos os dias em cada momento. Olhando para trás e lembrando de tantas ocasiões em que poderia ter desistido de tudo, mas não o fiz, percebo que sempre houve um clarão ao fim de cada túnel, e que essa luz dava sentido a todos os aspectos de minha caminhada.

Antes, apenas, eu não sabia que a luz tinha um nome. Hoje eu sei.  

MAITÊ PROEZA

 Aconteceu há muito tempo e relatar aqui o dia e a razão estragaria o que tenho a dizer.
 Assim, cito que ali, conheci a fundo Maitê Proença . E busquei mais .
  Foi assim que tomei consciência de algo que nos dias de hoje, é quase uma lei  [egoica] .
                    Costumo dizer que ninguém tem que ser orgulhar por ser fisicamente bonito. Isto adveio da genética, nasceu-se assim e ponto. Mulheres bonitas, por exemplo , que existem mundo afora - e lucram com  isso, em passarelas e daí por diante - ou, expressando-me melhor, ganham muito dinheiro. E isto não tem propriamente a ver com ficar ou ser Rico. Riqueza. São coisas bem distintas, uma e outra.
Via Maitê Proença , descobri o significado de ser uma Bonita Mulher. Esta é uma Beleza
adquirida , conquistada vida afora - e cada um tem seu caminho e encara. Encara, Enfrenta.
  E vence. Por isto, mérito e medalha de honra .
Assim é a Beleza adquirida é tornar-se uma Bonita mulher.
Eu não sei quem Maitê pensava que era - hoje sei, tenho absoluta ciência e certeza de sua verídica história. A infância, o decorrer da estrada, percalços,concordância, definições,decisões e atitudes.Estrada, caminhada,  queda e salto,reergue-se,Voo. Comunhão Consigo e com o Outro, no decorrer do percurso de aprendizado, crescimento . Descoberta de regiões e legiões.
Não conte pra ninguém, Maitê, mas como eu gostaria de ter tanta Coragem - e Ir .
                 Dar rumo, sem rumo algum, me entende ? Ir .
 Embora eu  seja corajosa para encarar determinadas propostas , senão a consciência pesa.
 Contudo, voltarei a falar dela, que é o que me propus aqui. Pretensão minha, fazer brilhar quem
já brilha há tempos. Porém, trago isto para meu direito de expor minha admiração e honra .
              Falar dela, abrir o jogo, contar a história com palavras minhas,dado ao significado.
Principalmente hoje, onde a beleza, o culto ao corpo, a busca egoica desenfreada,são o foco.
E perde-se em algo valioso -  e por isto sem preço- endereço :
 dentro de Nós, a moradia da Beleza.
 Aquela que advém de dentro pra fora e assim, nos conscientiza mesmo sobre os quase
antônimos: Vaidade e Valioso. Eu e Outro. Singular e Plural .
          Maitê Proeza pelo seu perfil como Mulher e Ser Humano, Gente, me encantaram
[ (isto me surpreendeu, pois de Mulheres, gosto somente das minhas Advogada,Contada e
        Terapeuta. As demais eu tolero, porque não tem outro jeito.)
Brincadeira, pois tem n Mulheres de quem gosto,admiro e tenho muita afeição.]
A admiração especial, a ela confessada aqui, foi porquê eu - como todas-já olho uma mulher
bonita , com certa inveja*; ao conhecer a Atriz em todos e todo seu potencial, isto tomou forma,
definitivamente.
 Entretanto,entre tudo,ao descobri-la a fundo, isto cresceu e tornou-se,
de Admiração a Consternação: uma Mulher e tanto é Maitê Proença
Proeza foi o termo que achei, de forma terna e sincera de falar dela,pois enfrentar toda
a Caminhada à qual se propôs e tomou rumo - exprime um certo sentido. E ainda falta.
  Então chega a Hora - e nasce Maria .
Aqui é o momento que a gente tem a certeza - além da exposição poética da própria Maitê-
porquê também Nós procriamos e sabemos o valor do Ventre e de Quem vem dali  .
Nasce Maria que em estrela que respira - o brilho, é genético - dá forma e
sentido à aventura de Viver e o propósito de Existir .
Segue pois, Maitê Proença a sua Caminhada, ao existir interpreta e traduz a fome disto,
       já que guardava dentro de si, a Luz  ,
e pré-sentia a cor do nome:  a estrela- Maria .


                                                             Maristela Dias da Cunha


* Evidenciei o asterisco, para que eu não citasse/sujasse o texto com este comentário.
Inveja, é um sentimento que eu não sei sentir. Juro.
       Inveja, não .  
Tenho admiração e honra por algumas pessoas, principalmente Amigas, de quem
estou próxima e outras as quais convivo e a cada degrau destas, aplaudo, de coração.



domingo, 21 de setembro de 2014

MADRUGADA DE ACORDES


                               




      Você já está acostumado, meu Caro Leitor, às confissões que aqui te faço; contudo, acerca desta não te peço segredo, como em tantas outras sempre contei com seu absoluto sigilo e peço-lhe que não comente com ninguém. Ao contrário, esta você pode espalhar, pois minha intenção é relatar e que os ouvidos lá fora escutem - bem . Isto porque ninguém tem ciência da interpretação de José Mayer - mais esta !
       Noite destas, tive uma insônia que tornou a madrugada de quinta-feira, de primeira. Isto aconteceu porquê, sem sono, liguei a TV e lá estava José Mayer, no Programa do Jô,comentando acerca da peça ' Um Boêmio no Céu'. Este trabalho proporciona-nos a honra de conhecer mais acerca de Catullo da Paixão Cearense,músico/ poeta/escritor/intérprete/ boêmio , papéis perfeitamente cumpridos, com a magia que é bem própria dos Artistas. Foi uma Madrugada de Acordes, como nominei - uma das mais lindas madrugadas que já tive.
      E o mais surpreendente disto, foi a voz que entoou a pauta musical, nas letras ricas , num tom de voz ímpar e até então - melodicamente - por nós desconhecido. O ator José Mayer, já merecidamente reconhecido nos palcos e na televisão, desta vez , demonstra uma interpretação vocal/musical tão valiosa ,que deixou a Plateia extasiada. Sua atuação foi efusivamente aplaudida , demonstrando na palma da mão
 o encantamento de quem teve o privilégio de ouvi-lo . ( " Ontem ao luar, nós dois em plena solidão, tu me perguntaste, o que era a dor de uma paixão.Nada respondi. Calmo assim fiquei!Mas fitando o azul...")
      Não sei dizer-lhe por quantas vezes, virtualmente, busquei o Programa do Jô e vi/ouvi/revi a matéria; bem como enviei-a a todos os meus amigos, que não tiveram o privilégio de assistir, naquela noite. E ainda assim - ou por isto - não me contive. Sabendo que neste domingo seria a última apresentação da temporada, não hesitei e embarquei para São Paulo, para assistir a 'Um Boêmio no Céu'. ( ...do azul do céu, a lua azul eu te mostrei...Mostrando a ti,dos olhos meus correr senti, uma nívea lágrima e assim, te respondi".)
        Eu sempre tive uma relação de Amor com o Teatro. Nas inúmeras e maravilhosas peças que já vi, por muitas vezes, aconteceu de ,inesperadamente, sentir-me no palco. De um jeito que só eu sinto( acho que isto eu não deveria contar pra ninguém, então aqui te peço segredo, amigo Leitor) , dentro de mim, por vezes, invado o Palco e tenho que trazer-me de volta: meu sentimento é aquele que habita o Ator. Sou Ele .
 A Alegria, a dor, o Medo e inúmeros outros sentimentos ali interpretados, se apoderam de Mim . Acontece, outras vezes, de o meu Eu entremear-se ao Outro e sentir que sou Plateia, não consigo mais ser Singular .É isto, torno-me Plural e sinto mais,sinto muito. Sou Nós. Talvez isto aconteça, em razão da Psicologia ensinar-nos acerca da Inversão de Papéis: colocarmo-nos no lugar do Outro . Então,junta o que aprendi com ciência, quanto ao que sei com sentimento e aí...
       E assim foi , naquela noite.Foi exatamente assim, no início da peça,quando a voz do Ator adentra o teatro e ele surpreende a Plateia-passa por nós - caminhando em direção ao palco. Na abertura da peça , tal qual havia ocorrido no Programa do Jô, ele privilegia uma mulher ( sendo contraditória à linha na qual estou redigindo , escrevi 'mulher', em caixa baixa; guarde segredo também aqui, querido Leitor - foi por impura inveja minha. Como eu queria estar no lugar dela!) em pública serenata, olhando-a firmemente .Comovente. Galanteador. Romântico. Firme e contraditoriamente, Doce. Sedutor e ao mesmo tempo, terno. ( "A dor da paixão, não tem explicação! Como definir, o que só sei sentir!É mister sofrer,
para se saber, o que no peito, o coração, não quer dizer.")
        Seguramente, o ator José Mayer encontrou-se no papel que interpretou. Daí, a sintonia ,coerência, segurança e autenticidade com as quais incorporou Catullo ,poetica/musicalmente . Presumo que este seja mais um privilégio do Ator : ao estudar o perfil de quem interpretará, estende -se ,pela descoberta de Valores, Conceitos,Perfis . Através do papel, desvenda o mistério de múltiplas personalidades, aperfeiçoando-se, como Indivíduo. Pós-gradua-se em Ser.
         E aqui, é imprescindível que seja ressaltada, a forma com a qual o Poeta enaltece as Mulheres
 ( é, as Mulheres!!!) fazendo delas Estrelas às quais ele, humilde e perdidamente apaixonado, se rendia. Creio que na época, a Figura Feminina sequer podia sentir-se traída, dada à entrega do Poeta, de Corpo e Alma.
 E Nós, da Platéia , não tivemos outra alternativa  , senão sentirmo-nos lisonjeadas , apoiando Catullo, a Poesia , a Boêmia e a sua intensa capacidade de Amar. O Sentimento estendia-se do muito ao todas. (" Pergunta ao luar, travesso e tão taful, de noite a chorar, na onde toda azul,pergunta ao luar, do mar a canção : qual o mistério que há na dor de uma paixão ?")
        Só um privilégio o Ator não tem, este é só Nosso. Ele não possui a quase que sagrada , eu diria, condição de deixar o Intérprete ali atuando e por alguns segundos, ser Plateia; sentindo, assim a Emoção incontrolável que toma conta de Nós, comandando-nos deliciosamente. Somos tragados pela Arte,sem o desejo e o direito de resistirmos- felizmente!
        Concluindo, o trabalho ,advindo de muito empenho, pesquisa , determinação e lógica, redundou
 em algo absolutamente distinto disto. Transformou-se em horas de encanto e encontro com o Poeta, vivo;uma interpretação conjunta que enobreceu-encheu de Luz!- aquele espaço e em razão da interação , tornam Palco e Plateia, um só Corpo. ( "Se tu desejas saber o que é o amor e sentir o seu calor, o amaríssimo travor, do seu dulçor, sobe o monte à beira mar, ao luar,ouve a onda sobre a areia a lacrimar ! "'Ontem ao Luar / Catullo da Paixão Cearense)
         Em nome de inúmeras pessoas que assistiram a peça  ,sem dúvida, parabenizo aqui, de Amir Haddad - além de Dramaturgo, Diretor - a Vera Fajardo ( quase de A a Z) ;nosso agradecimento a toda a Equipe que proporcionou-nos este encontro com a Arte Cênica. Certamente, lá da lua, também encantado e comovido, Catullo os tem aplaudido e escondidinho, piscado para Vera Fajardo, que garimpou-o
.E que Amir Haddad  me perdoe( também peço segredo acerca disto que aqui uso, por ele citado), mas faço nossas as suas palavras, alterando um pouco: "Recebam Vocês, o nosso aplauso emocionado. Isto, por possibilitar que O Brasil descubra o Brasil em seu Universo Popular e porquê nossas fontes, estão vivas. Isto é obra da Arte , que este espetáculo - Espetáculo!- confirmou."

                                                                                                                   Maristela Dias da Cunha

 * Meu agradecimento a Francisco Accioly e Tereza Durante, os quais tive o prazer de conhecer.
  * Pós show de Oswaldo  Montenegro , sublimamos , ficamos a falar  somente de arte e jogamos fora
certos interesses que  como disse Hugo,´  faz com que o artista entregue os pontos´.E dado a comentários  posteriores pediram que eu atualizasse o artigo. Está aqui, pois.

domingo, 27 de julho de 2014

sábado, 19 de julho de 2014

A MANHÃ ONDE QUANTO ACONTECEU


 19/07/2014 -Rubem Alves é um dos referenciais em minha vida. É, sempre no presente. E sua Ida,também tem um significado, um marco para mim . Agora,lá de cima - mais próximo de mim estará aqui . Creio que até ao meu  lado .

                                     *********************

Eu não sei se escrever será o suficiente. Tinha que haver um jeito de guardarmos bem o Sentimento, que toma conta de Nós em determinadas situações. Foi o que aconteceu nesta manhã .
Ontem, um grande Amigo convidou-me para uma palestra e citou que seria de duas pessoas que eu iria gostar muito. Fomos. E qual não foi a minha surpresa, pois, por ter estado fora de Uberlândia , eu não  sabia que Eles estavam aqui e Arthur me fez esta surpresa : estavam na cidade , Leonardo Boff e Rubem Alves .
Leonardo Boff deu início , falando sobre 'Ética' e obviamente, encantou-nos . Rubem Alves prosseguiu,expondo acerca de 'Educação', com seu Carisma/ Poesia/ Linguagem associados à linha Psicanalítica que detém ao escrever e falar. Quando terminou,informei-me do horário que embarcariam no outro dia e saí de lá decidida.
Acordei às cinco da manhã e decidida, fui para o hotel onde estavam [ felizmente era no Plaza Inn e eu teria que estar no Shopping (mas independente disso teria ido)]. Dirigi-me ao Salão do Café e quando Rubem Alves entrou, apresentei-me , desculpando/justificando-me por estar ali àquela hora, mas que eu decidi não abrir mão de ter o privilégio de estar próxima a Eles, descobrir se Existiriam mesmo [ porque às vezes, quando os lemos, de tão valioso, dá pra duvidar ].
Ele foi incomumente gentil, convidou-me para o café e ali sentamo-nos; dando seguimento à gentileza, perguntou-me acerca da área em que atuo, olhando com aqueles olhos de quem Vê – entende?
Pouco depois chegou Leonardo Boff, com a esposa Márcia e Rubem Alves ( eu não conseguiria, nem aqui, chamá-lo sem o sobrenome... é ELE ) apresentou-nos.
O casal embarcará amanhã para Berlim, ficará três meses na Europa. Ministra palestras ao Mundo inteiro( é, Ao mundo inteiro, eu creio que me explico melhor) assim tem a Cabeça branca -por dentro e por fora - a barba enorme. A Voz firme, mas leve. Parece a Paz olhando pra gente. E o típico Cientista da Vida, mesmo . Singular, doce, Humano .Lembrei-me , vendo-o ali , de que a lágrima escorreu no rosto dele ao fim da palestra e a Voz destoou, comentando o vídeo da Palestina , que tínhamos visto no início.
Eu ( preciso citar que ‘propositadamente’ ? ) estava com meu portfólio e pedi a Eles que não achassem que eu estava fazendo propaganda de mim - que tivessem certeza absoluta. Então, mostrei-lhes meus trabalhos . E devo confessar que os Elogios, a forma como perguntavam-me a respeito das Peças, senti algo que nem eu conhecia em Mim ; não é propriamente Orgulho .Talvez seja Honra . Deveria ter em cada um de Nós, um jeito de guardar a memória do Sentimento, sabe? daquilo que a gente sente na Pele. Foi muito lindo também o que senti, quando Márcia citou-me que a filha já é designer, embora concluindo o curso no Canadá. Ou seja, olhando meu trabalhos, associou-os aos da Filha – que por ser Filha dos Pais, já é muito. Todavia, o que sensibilizou-me , foi a delicadeza do comentário. Brilhei , como nunca . Brilhei com Certeza .
E novamente aconteceu que falamos de Educação – o tema que Rubem Alves tratou na palestra. Ímpar,repito, a Linguagem dele, em forma e conteúdo .
Como eu disse a ele hoje , certamente o que Senti ,foi uma sensação de todas as pessoas que estiveram lá , no Centro de Convenções de Uberlândia . Naquela noite, ao chegar em casa e abrir a porta, tive a nítida sensação de que eu estava maior - e melhor- do que eu era quando saí . E isto , por causa deles.
Ao nos despedirmos, Rubem Alves deu-me um Abraço depois , olhando bem eu meu rosto, disse-me que minha presença ali tinha sido um presente pra Eles . Respondi: '- Foi para mim  [ e Para Sempre .]
                                                                                                                                   Nov. 2006
19/07/14 - Rubem Alves  me receberia dentro de três meses , para entregar-lhe o que tenho em mãos ,                        pois há tempos eu já sabia que é  dedicado a ele. E será .
               

terça-feira, 31 de dezembro de 2013