Tenho visto ultimamente, um problema quanto a uma bolsa minha. É uma griffe famosa e compensou o valor pago, pelo tempo que já a tenho: mais de dez anos. Se ela falasse, eu estaria perdida, quanto ao que sabe de mim, dado ao tempo juntas...
As peças/produtos conceituados, trabalham bem as todas as variáveis que se resumem numa palavra: QUALIDADE. Inclusive a Beleza está dentro disto: tudo que tem Qualidade é Belo; mas a recíproca não é necessariamente verdadeira.
E ao longo do tempo, fui descobrindo que embora de uma marca conceituada, essa bolsa tem algo muito desconfortável: por ser grande, tudo o que está dentro dela se perde. Ocorre sempre de eu ficar procurando a carteira, a pequena bolsa de moedas, a caixa dos óculos, entre outras coisas . Em suma: o que está lá dentro se mistura ,me causa desconforto e obviamente, me atrasa.[ Por falar em ' pressa' do cotidiano ,tenho que contar: descobri outro dia um relojoeiro que eu procurava, literalmente , há muito tempo. E em sua pequena loja, tem um despertador, lindo, do século passado. Antiquíssimo.E pedi a ele que tirasse os ponteiros ( sabia que era de valor pessoal dele e conversamos sobre isto. ) Levei para a minha casa. Pelo menos lá dentro , num canto, Eu domino o Tempo. ]
Voltando ao tema, dia destes, algo de muito interessante aconteceu : sentada no banco de um Banco - substantivo tão próprio - comentei algo com uma senhora que estava ao meu lado. Eu estava há um bom tempo procurando e disse: “- Gosto tanto desta bolsa, mas já estou ficando chateada com ela. Justamente por ser tão grande, faz com que eu perca as coisas aqui dentro e demore a encontrar tudo. Quando estamos entrando num banco, então, que temos que tirar as chaves e o celular, rapidamente, aí ...”
E ela, sorrindo, respondeu-me: “ Sei bem do que você está falando. Aconteceu muito comigo . Por isto hoje, sempre que vou comprar uma, verifico principalmente se o tecido interno é claro. Caso não seja, não hesito: não compro.”
Fiquei corada. E respondi a ela que não sei como eu não tinha visto isto ( principalmente aqui, Você, Leitor, guarde segredo) . É que o Marrom me chama tanto a atenção , gosto tanto da cor – justamente por ser clássica, mais calada e não sujar – que é a que sempre busco. No entanto, porquê preocupar-me com isto, se a parte interna da bolsa não se suja, não está exposta?
Coloquei a esta gentil senhora acerca de tudo o que citei , rimos um pouco e quando a senha foi chamada, nos despedimos e ela se foi. Aliás, quero comentar também que, assim que cheguei e sentei-me ao seu lado , chamou minha atenção o fato de ela – tem parece ter bem mais de setenta anos ! – estar ali, na fila comum. E lembrei-me de Picasso: ‘ Leva-se muito tempo para ser Jovem’. Verdade preciosa. Lúcida, saudável e certamente, tendo um pouco mais de Tempo, sentou-se ali e aguardou. E como se não bastasse, ensinou-me algo importante.
Fiquei a pensar sobre isto . Deveríamos ser como as Bolsas, claros, por dentro . Nosso interior deveria mostrar tudo facilmente, impedindo que houvesse dificuldade para encontrarmo-nos – ou o que o Outro busca, em cada um de Nós .
Contudo, se há Escuridão , que levemos para nosso interior Pessoas- peças claras, límpidas , que ajudarão a serem encontrados realmente o
que se precisa, lá dentro. Em cada um , existe muito de bom,sempre ; entretanto,pode ser que a cor escura do tecido- emocional esconda - ou mesmo , apague . E se decidirmos - Livre - Arbítrio - a Luz será acendida . Iluminaremo-nos .
E principalmente, devemos estar atentos se não seremos Nós ,que devemos lidar com o que de escuro existe dentro do Outro . Propiciar a ele , a chance de ordenar mais seu interior : iluminá-lo. Mesmo porquê, apesar da escuridão, há Grandeza. Onde há Escuridão , por mais paradoxal que pareça, também mora a Certeza da Luz .
Ao fim disto tudo, estaremos sendo realmente algo assim, que, se comparados à bolsa, seremos o que se deve ser: Bolsa de Valores.
sábado, 18 de agosto de 2012
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Puxa vida Maristela, simplesmente fenomenal o texto..
ResponderExcluirNovamente só tenho que agradecer..
Muito obrigado por compartilhar essa experiência que, no meu caso, serviu como uma luva hehehehe.
Abraços.
O meu agradecimento aos seus elogios, já tinham sido feitos por e- , mas deixo tb este aqui.
ResponderExcluirAquele abraço, Jack .