Há que se comentar, realmente, quando acontece algo que revira a gente e faz com que repensemos acerca de ideias, conceitos ; principalmente quando isto faz com que cheguemos a conclusões significativas. Eu, sempre que comento um assunto que chamou minha atenção e percebo que o mesmo ocorreu com muitos, aí,não tem jeito: tenho que divulgar. O sentimento é plural, como digo, é Coletivo .
Eis que repente, no Jornal Nacional , entra uma notícia bonita, saudável (!) e mais do que inteligível :Paul McCartney recebeu da Casa Branca o prêmio da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Com a irreverência que é inerente a ele, adentrou o palco com a linguagem – visual e cênica – que lhe é peculiar : seguro , bem dono de si e de quem ali estava.
No entanto , foi impactante na reportagem, quando aparece o presidente dos Estados Unidos, com sua feição de sempre, singular, o sorriso, o figurino sóbrio. É que de repente, sem mais nem menos, surge ali na tela da TV, algo inusitado: Barack Obama dançando . Incrível . O sorriso, o de sempre, mas o Corpo em movimento cadenciado, diferente daquele das reportagens, em discurso ou desembarcando em algum lugar.
E em situações como esta , fico a me perguntar como somos conduzidos condicionados a firmarmos nossas (?) ideias, obedecendo ao que nos é imposto. De repente eu – e inúmeros Telespectadores – nos impactamos com algo que é mais do que natural. Obama dançando. Por quê não ? Unicamente, está fora de nossa linha de Pensamento, ao que estamos sempre acostumados a esperar [ou permitir].
Associei a isto algo que também me surpreendeu. Em razão de ser conduzida sempre ( sinto-me condicionada, feitos os hamsters que trabalhávamos em uma disciplina chamada Psicologia Experimental ), não me conformo e acabo por tomar uma atitude que não seja muito comum – mas que de incomum, não tem nada. Por vezes a gente tem que, literalmente ,tomar coragem; até emprestada , se for o caso.
E assim foi .Estava eu sendo atendida por uma das gravações, quando em contato com uma operadora de telefonia. Como sempre, aquilo que já decoramos : “ Oi, você está sendo atendido ... digite 1 ... “ e por aí vai. Hoje, basicamente, se formos hábeis, nem precisamos falar propriamente com Alguém. Tudo é solucionado pela atendente virtual.
Entretanto, neste dia, tive que esforçar-me por falar realmente com a atendente da operadora ; foi difícil conseguir. Depois disto , tudo resolveu-se na linguagem de sempre ( número do seu telefone, protocolo , enfim, o devido procedimento). E sem conseguir me deter ( felizmente!), conto aqui o diálogo:
Atendente: “ -Posso ajudar-lhe em mais alguma coisa ?”
Eu : “ – Cíntia, vou te tomar a liberdade de te perguntar : como é que está o problema da enchente, o transtorno? A gente tem as notícias pelos jornais, mas FALAR com alguém é diferente ... como é que estão as coisas aí no Rio ? “
Confesso que fiquei constrangida e com a sensação de estar sendo impertinente ou coisa assim.
Percebi nitidamente que a pergunta surpreendeu-a ; a postura vocal, por assim dizer, modificou-se . Bem como perdeu-se a formalidade, já que as palavras foram ditas por Ela, ali e não pela Atendente dali . Foi uma contraditória expressão ( inferência minha, pelo que senti ) de surpresa e confissão. Citou-me que não tinham conseguido sair da empresa, na noite anterior , além do que estavam sem contato com as famílias; enfim, abriu o jogo, entregou-se . E engasgou .
Engasguei-me , também . O que responder ? Tudo vai dar certo, isto passa ? Obrigada pela informação ?
Criei Coragem e disse ( não falei, só, não ; tentei dizer ) : ' -Te agradeço por ter me dado notícias e saiba que a gente está aqui, torcendo; o pior já passou ’, foi o que consegui . E despedi-me .
Ao desligar, fiquei olhando para o telefone e lembrando-me do que tinha sentido na noite da reportagem que citei no início . As duas situações, embora antagônicas - homenagem e tragédia - falavam de Emoção . E de Desafio, frente ao Condicionamento , frente ao que nos é imposto em nosso cotidiano .
Temos de contentarmo-nos, em seguir regras ? Delimitar a postura do Outro, achando ‘ estranho ‘ por perceber que ele também É ? Reprimirmos nosso interesse de con-viver ? Cumprir regras ?
Não . A Gente tem que criar coragem , ter preceito e dizer para o Outro que, qualquer coisa, estamos na escuta . Deletarmos este termo tão encardido chamado ‘ qualidade de vida ‘ e buscarmos aperfeiçoar nosso dia –a-dia ; darmos a merecida qualidade À Vida .
Manda ver, Obama , *dance. Força, Cíntia .O pior Já passou .
Dia de segunda, abraço de primeira.
Maristela
* Sempre discordei quanto ao verbo Dançar ter sido tornado pejorativo . Tem duas frases que concordo muito :
1 - ‘ Eu só acredito em um deus que saiba dançar ‘ . [ Nietszche ]
2- ‘ A dança é a expressão vertical de um desejo horizontal.’ [ George Bernard Shaw ]
domingo, 5 de agosto de 2012
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